Júlio César

Nascido sob os auspícios do destino, Caio Júlio César ergueu-se entre os mortais como aquele em quem Roma encontrou sua própria encarnação. Desde cedo revelou uma alma que não conhecia limites: nem as intrigas do Senado, nem as armas de seus inimigos, nem as próprias fronteiras do mundo pareciam bastar à vastidão de seu espírito. General invicto, orador de verbo claro e irresistível, legislador de mão de ferro, César não apenas conquistou a Gália, domou-a, ordenou-a e a ofereceu à eternidade romana. Em cada campanha, sua coragem confundia-se com a fortuna; em cada decisão, a audácia tornava-se prudência.

Mas foi sobretudo na grandeza de sua visão que superou todos os homens. Onde outros viam a República cansada, ele enxergou um império nascente; onde havia divisão, impôs unidade; onde reinava o caos, instituiu ordem duradoura. Sua clemência para com os vencidos rivalizava com sua severidade contra o descontrole, e seu nome, já em vida, ultrapassava o dos deuses antigos em reverência popular. Se a morte o colheu entre punhais indignos, não foi por fraqueza sua, mas pela incapacidade dos homens de suportar a superioridade de um homem que tinha o poder de derrubar o próprio Céu.

OPERA